Sport e Náutico na Série A, Campinense, ABC e Fortaleza na Série B. O Nordeste perdeu de uma só vez cinco representantes nas duas principais divisões do País.
Se serve de alento, comemoramos o acesso do Ceará da Série B para a A e ainda de Icasa (CE) e ASA (AL) da C para a B, e a permanência do Vitória na elite. É pouco?
Não tem como esconder. É uma perda considerável para um futebol que sofre com uma sequência que causa medo, na redução de espaço no cenário nacional. Todos sabem que na divisão da "Bunfunfa", uma queda representa buraco no caixa.
Ainda bem que o Bahia escapou, senão seria mais vexatória ainda a situação do Nordeste. Dono de uma das maiores e mais fanáticas torcidas do Brasil (a 13ª, segundo pesquisas CNT/Sensus e Ibope). Rebaixado para a Série B em 2003 e para a Série C em 2005, o time conseguiu retornar à B em 2007 e só nas últimas rodadas conseguiu se manter.
O negócio é o seguinte: Até no nosso dia a dia, quando fracassamos em algum negócio que envolva dinheiro, ficamos preocupados, agora imaginem, uma equipe cair de divisão e perder as vezes até 50% do que vinha rececendo dos direitos de transmissão. O pior de tudo é ter que se virar para cobrir esse buraco.
O torcedor vive de resultados e não vai querer saber desta situação, até porque, todas as vezes que o clube precisa, ele está presente levando o seu apoio.
Além da crise, com a perda da arrecadação, os times do Nordeste têm uma reclamação: a distribuição desigual de recursos por parte da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O contrato da entidade com a TV Globo, que transmite o Campeonato Brasileiro, é de R$ 600 milhões, podendo chegar a R$ 1 bilhão com pay-per-view e placas de publicidade.
Alguns clubes da Série A, como Corinthians, Flamengo, São Paulo e Palmeiras, recebem R$ 30 milhões. O Vasco, como disputou a Série B este ano, teve direito a 50% (R$ 15 milhões). Os outros ganham a partir deste valor, em ordem decrescente.
Não existe outra saida para resolver essa situação. Ou o Nordeste se une, ou então com o andar da carruagem, poderemos amargar um dia e não muito distante, a ausência total do Nordeste na principal divisão do futebol brasileiro.
Já passou da hora dos nossos dirigentes deixarem o orgulho de lado e encarar esta realidade.
"Abrace o seu filho todo dia, antes que a droga o abrace para sempre"